No último mês de julho, o governo expulsou o maior número de servidores por malfeitos em um só mês desde 2003, o total de 98 funcionários. Grande parte dos afastamentos ocorreu, sobretudo, por corrupção, como por exemplo, o recebimento de propina, uma situação rotineira em diversas alfândegas do país. Um dos empresários que mais exportam para os consumidores brasileiros, explica como ocorre diariamente essa prática, do qual continuamente é vítima. “Se quiser liberar imediatamente os meus produtos, destinados a uma das maiores redes de supermercados do Brasil, tenho que pagar US$ 10 mil em propina. Ou é assim, ou tudo fica parado nos portos, correndo o risco de apodrecer. Mas prefiro o prejuízo a endossar essa prática revoltante”. Na consulta a mais de uma dezena de importadores, foram ouvidos alguns líderes nos segmentos em que atuam. Mesmo receosos com a possibilidade de sofrerem represálias, foram unânimes em afirmar que, frequentemente, são achacados em portos e aeroportos do país. Ou “molham” as mãos dos fiscais para terem um tratamento mais rápido, ou entram em uma fila de burocracia que atrasa, o máximo possível, o aval para as mercadorias serem liberadas.

Fonte: Correio Braziliense