Com a inauguração de uma nova linha de cabine de caminhão dentro das instalações da fábrica de São Bernardo do Campo, a Mercedes-Benz concluiu mais uma fase do seu projeto de implantação da Indústria 4.0 no Brasil. A montadora deu início ao processo de produção da indústria 4.0 em março de 2018, quando começou a montagem de caminhões por um sistema de produção totalmente conectado pela Internet.

A fábrica de cabines inaugurada nesta quinta-feira (28 de fevereiro) é um processo que envolve aplicação de robôs colaborativos, aplicação de exoesqueletos e óculos de realidade aumentada. Afinal, trata-se de alta tecnologia, coisa melhor entendida por gente da área e capacitada a conduzir os meios de produção dos novos tempos, mas que é possível imaginar o que seja.

Aliás, exoesqueleto é uma estrutura projetada ergonomicamente para ajudar o funcionário que o veste nas realizações de movimentos repetitivos. Em outras palavras, é um equipamento externo que pode ser alimentado por motores elétricos e que fornece força e resistência aos membros do corpo humano.

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O exoesqueleto fornece força e resistência e ajuda o funcionário nos movimentos repetitivos durante a jornada de trabalho

Coisa certamente já vista em filme de ficção cientifica, assim como o robô colaborativo, de braço duplo e mãos flexíveis que manuseia qualquer objeto e trabalha em sintonia com os operadores para aliviar esforços repetitivos. Os óculos de realidade aumentada, por sua vez, possibilitam que o funcionário enxergue imagens de equipamentos ou do processo de produção que os olhos não conseguem ver.

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Tecnologias inovadoras, Internet e outros avanços que asseguram alto padrão de qualidade e ganho de produção, com menor esforço fazem parte da Indústria 4.0, que opera em ambiente silencioso e limpo

Enfim, a indústria 4.0 aplica à linha de produção de cabines e montagem de caminhões tecnologias inovadoras, com dados na nuvem, Internet das coisas etc? Porém, cabe dizer que o termo “indústria 4.0” é tida como a quarta revolução industrial, que pode ser entendido como a modernização dos processos produtivos, os quais exigem menos do braço humano e garantem mais agilidade e qualidade aos produtos. Uma era da interação entre seres humanos e a tecnologia.

Tem sido assim desde a primeira revolução industrial, entre 1750 e 1860, a qual pode ser definida como um conjunto de mudanças que começaram na Inglaterra, e tiveram como principal particularidade a substituição do trabalho artesanal do trabalhador por máquinas a vapor, aplicadas nas embarcações, locomotivas, teares etc.

A segunda ocorreu entre 1850 e 1950 e foi marcada também por descobertas e invenções. É deste período a descoberta e o aproveitamento de fontes de energia como o petróleo no motor a combustão; urânio para energia nuclear e usinas hidrelétricas que ajudaram a revolucionar e ampliar a produção industrial. Neste período surgiram as linhas de montagem, esteiras rolantes que dinamizaram os processos de produção.

E na terceira revolução industrial, que teve início após a segunda guerra mundial (1940), surgiu a eletrônica que teve papel de agente modernizador da indústria. Nela se inclui o descobrimento da robótica, nos anos 70, aplicada à linha de montagem de veículos. Muitas outras descoberta e invenções surgiram, como a descoberta de novas ligas metálicas que possibilitaram avanços na metalurgia e na construção de aviões; a conquista espacial, consciência ambiental; uso de computador pessoal nos anos 90, Internet etc etc etc.

Com a tecnologia implantada pela Mercedes-Benz dentro de sua fábrica para a produção de caminhões, guardadas as devidas proporções, objetivo é muito parecido ao que se buscou na primeira revolução industrial: assegurar alto padrão de qualidade aos produtos e ganho de produção com menor esforço do elemento humano.
O presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina, Philipp Schiemer ressaltou que a linha de montagem de caminhões inaugurada há um ano trouxe grande impacto para o setor de veículos comerciais no País com a implantação de conceitos da Indústria 4.0. “Agora, com a Linha de Cabinas, estamos dando mais um passo histórico e decisivo, que terá continuidade, porque iremos avançar para a produção de agregados, como motores, câmbios e eixos, e também de chassis de ônibus”, acrescentou.

O caso específico da produção de cabinas, com o novo ambiente de trabalho a projeção da companhia é de obter ganhos de 15% em eficiência e 20% em logística em relação a processos anteriores. A empresa ressalta que além das tecnologias, processos e recursos avançados, a nova Indústria 4.0 que cresce cada vez mais dentro na empresa também dedica atenção muito especial aos funcionários.

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Com a Linha de Cabinas, estamos dando mais um passo histórico e decisivo, que terá continuidade. Vamos avançar para a produção de motores, caixas de câmbio , eixos e chassis de ônibus, adiantou o presidente da Mercedes-Benz do Brasil

Tecnologia tem custo e para isso foram investidos R$ 100 milhões na nova fábrica de cabinas. “O valor está dentro do aporte de R$ 2,4 bilhões programado entre 2018 e 2022”, disse Schiemer. O executivo destacou que o Brasil tem de se modernizar para a retomada que se espera acontecer para tornar o País competitivo. “Vamos fazer a nossa parte, mas o País precisa fazer a dele, pois temos muitos impostos, burocracias etc”, concluiu. Junto com a inauguração da fábrica de cabinas, a fábrica retomou o terceiro turno da produção de motores e o segundo da produção de caminhão.