Você sabe o que é o eixo cardã? Qual a sua importância para o bom funcionamento do caminhão? Que tipo de cuidado é necessário para aumentar a vida útil do componente e evitar surpresas na estrada?

O Portal O Carreteiro conversou com Fernando Martinez, especialista em Desenvolvimento de Produtos e Inovação da Meritor – fornecedora de eixos e sistemas para o drivetrain de veículos comerciais pesados na América do Sul – que disponibilizou algumas dicas para promover uma manutenção eficiente no componente.

Antes de falar sobre os cuidados com o eixo cardã é preciso entender a importância do componente na vida útil do veículo.

O eixo cardã é um conjunto de várias peças com a função de levar o torque que sai da caixa de cambio até o eixo trativo do veiculo, com um sistema interno de variação de comprimento (tipo telescópio) que garante as variações de altura entre o chassi e o eixo traseiro, devido aos terrenos irregulares, carga sobre o eixo, acelerações e frenagens, compensando as vibrações e ângulos formados nestas condições.

Compõe de subconjuntos importantes, tais como :Terminais (flanges ou yokes), Junta universal(cruzetas e garfos), Luvas e ponteiras fixas e  deslizantes (telescópios), tubos com garfos soldados, Mancais (mancal central com rolamento).

Quando se fala em principais cuidados com o eixo cardã é preciso focar em dois pontos importantes. O primeiro está relacionado a manutenção periódica, que consiste na lubrificação dos componentes, verificação dos torques de aperto dos parafusos e folgas dos conjuntos, vazamentos e/ou trinca em soldas.

O segundo é observar sinais vindo do conjunto através de vibração e/ou ruídos provenientes do sistema, onde deve-se buscar sanar através de uma verificação completa, pois são indícios de mau funcionamento do conjunto.

É importante também estar atento ao intervalo de troca da graxa. Martinez ressalta que os veículos estradeiros ou em condições não severas precisam realizar a troca a cada 20.000 km ou dois meses, o que ocorrer primeiro. No caso dos veículos urbanos, onde se utiliza muitas trocas de marcha e baixas velocidades, a cada 10.000 km ou mensal, que ocorrer primeiro. Já os veículos especiais ou não estradeiros, que possuem condições severas devem ser analisados os conjuntos periodicamente com troca no máximo de 15 dias.

A graxa deve ser colocada nas partes internas do conjunto e onde se encontrar as graxeiras, bombear a nova graxa até que saia a antiga e um pouco da nova graxa pelas borrachas de vedação, eliminando o excesso com um pano limpo, pois ajudará na inspeção periódica futura.

Quando o motorista não faz a manutenção preventiva, Martinez alerta que o conjunto pode ser danificado, pode diminuir a vida dos componentes e ocorrer uma parada do veículo e um acidente por falta de tração. As cruzetas irão repentinamente apresentar sinais de desgaste, podendo fundir e quebrar.

“Um conjunto sem lubrificação  ou um produto vencido ou inadequado provoca o desgaste prematuro  e irá danificar, quebrar e necessitar de manutenção corretiva. Fazer a verificação permanente e manutenção preventiva, analisando as vedações, que devem estar em dia, faz parte da rotina do proprietário, pois  caso haja sinais de vazamento excessivo, isto ocorrerá a contaminação da graxa com água e partículas abrasivas reduzindo a vida útil dos componentes”, destacou.

 Dicas importantes:

  • As cruzetas e as peças que são fixas por parafusos devem estar com torques especificados pelo fabricante ou pelo manual do veiculo.
  • O sistema deve ser montado com as folgas máximas exigidas para que não haja travamento ou folgas excessivas.
  • Observe trincas ou folga nos olhais, soldas dos tubos e níveis de ruídos exagerados, devido ao desbalanceamento ou sinais de impacto ou rolamentos desgastados.
  • Utilizes torquimetros e ferramentas adequadas para a manutenção e equipamentos de segurança e com o veiculo sempre desligado.