A falta de motoristas também já preocupa o segmento de transporte de veículos. Enquanto a demanda por profissionais qualificados cresce, cada vez menos jovens demonstram interesse em seguir a carreira de cegonheiro. Diante desse cenário, a 25ª Expo de Transportes do ABCD, conhecida como Feira do Cegonheiro, chega com uma missão que vai além da apresentação de caminhões, implementos e serviços: valorizar a profissão e discutir caminhos para garantir a renovação da mão de obra.
Promovido pelo Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), em parceria com a Conexão Eventos, o encontro será realizado entre os dias 25 e 27 de setembro, no Pavilhão Vera Cruz, em São Bernardo do Campo (SP). A expectativa é reunir transportadoras, montadoras, fornecedores e profissionais para debater os desafios do setor e apresentar soluções para uma atividade considerada uma das mais especializadas do transporte rodoviário.
Falta de motoristas ameaça renovação da profissão
A escassez de profissionais já afeta empresas de diferentes segmentos do transporte, mas a situação é ainda mais delicada entre os cegonheiros. Isso porque a função exige experiência, treinamento específico e domínio de técnicas de embarque, desembarque e circulação com combinações de grandes dimensões.
Segundo o Sinaceg, a profissão deixou de despertar o interesse das novas gerações. Muitos filhos de caminhoneiros optam por atuar na gestão das empresas da família ou seguir outras carreiras, interrompendo uma tradição que durante décadas passou de pai para filho.
Além disso, fatores como longas jornadas, violência nas rodovias e o tempo longe de casa tornam a atividade menos atrativa para quem está entrando no mercado de trabalho.
Profissão exige qualificação diferenciada
Ser cegonheiro vai muito além de possuir habilitação para conduzir um caminhão.
O profissional precisa conhecer rotas específicas, inclusive em áreas urbanas, para evitar restrições de altura e peso, além de dominar todo o processo de carregamento e descarregamento dos veículos transportados. Como normalmente realiza entregas em concessionárias, também representa a imagem da transportadora diante do cliente.
Por isso, formar um novo cegonheiro demanda tempo e investimento. No passado, era comum que o aprendiz acompanhasse um motorista experiente durante vários meses antes de assumir sozinho a operação. Hoje, porém, os custos dificultam esse modelo de treinamento.
Tecnologia pode ajudar a atrair novos motoristas
Outro tema que estará presente na Feira do Cegonheiro é a modernização da frota.
Caminhões equipados com sistemas de assistência à condução, maior conforto e tecnologias embarcadas tornam a rotina menos desgastante e podem contribuir para despertar o interesse de novos profissionais.
Ao mesmo tempo, o Sinaceg defende parcerias entre transportadoras, autoescolas e centros de formação para ampliar o acesso de jovens à profissão e reduzir a falta de mão de obra especializada.
Feira do Cegonheiro reúne negócios e valorização profissional
Além de apresentar novidades em caminhões, implementos, acessórios e serviços, a Feira do Cegonheiro pretende fortalecer o reconhecimento da categoria.
O evento contará com a participação de montadoras, empresas de transporte e fornecedores do segmento, além de atrações voltadas às famílias dos profissionais.
Mais do que uma feira de negócios, o encontro busca reforçar que investir na valorização do motorista é fundamental para garantir o futuro do transporte de veículos. Afinal, sem novos profissionais, cresce o risco de a falta de motoristas comprometer a operação logística nos próximos anos.






