O programa Move Brasil deu novo fôlego ao mercado de caminhões em 2026. Na avaliação da Volvo Caminhões, a procura pelo financiamento acelerou tanto que os recursos destinados às empresas de transporte estão perto do fim.

Segundo o diretor-executivo de Caminhões da Volvo, Alcides Cavalcanti, aproximadamente 75% do orçamento reservado às transportadoras já foi utilizado, e a expectativa é que o restante seja contratado nos próximos dias.

“Mais dez dias e esse recurso deve acabar para as empresas de transporte. Talvez até antes, pela velocidade com que os contratos estão sendo fechados”, afirma o executivo.

Embora o dinheiro esteja praticamente comprometido, isso não significa que todos os caminhões já estejam nas estradas. Muitos veículos ainda estão sendo produzidos e serão entregues entre agosto e outubro, período em que o mercado deve registrar um aumento nos emplacamentos.

Move Brasil: autônomos ainda têm recursos disponíveis

Enquanto as transportadoras aproveitaram rapidamente a linha de crédito, o cenário é diferente para os caminhoneiros autônomos.

Segundo Cavalcanti, boa parte dos recursos reservados para essa categoria continua disponível. O problema não é falta de dinheiro, mas sim a dificuldade para aprovação do financiamento.

Entre os principais obstáculos estão documentação incompleta, restrições financeiras, cadastro de crédito e histórico de endividamento.

“O recurso existe. O desafio é fazer o autônomo conseguir acessar esse crédito”, explica.

Para ampliar o uso da linha de financiamento, Volvo, governo federal e Anfavea realizarão um evento em Santos voltado exclusivamente aos caminhoneiros autônomos. A iniciativa reunirá fabricantes e instituições financeiras para esclarecer dúvidas sobre documentação, financiamento e renovação de frota.

Vale a pena comprar agora?

Na avaliação da Volvo, quem conseguiu aprovar o financiamento ainda encontrará boas condições para adquirir um caminhão novo.

Mesmo com a recente redução da taxa Selic, Cavalcanti afirma que o impacto sobre os financiamentos continua pequeno, já que os juros praticados pelos bancos permanecem elevados.

“Quando se soma o spread bancário, as taxas ainda ficam próximas de 20% ao ano. A redução da Selic ajuda, mas não muda significativamente o custo do financiamento.”

E o que acontece quando o dinheiro acabar?

Essa é hoje a principal dúvida do setor.

Segundo a Volvo, o programa impulsionará as entregas de caminhões durante o terceiro trimestre. Depois disso, o comportamento do mercado dependerá de uma decisão do governo sobre uma possível terceira edição do Move Brasil.

Caso não haja uma nova rodada de recursos, o ritmo de vendas pode perder força no último trimestre de 2026.

Ainda assim, a fabricante mantém sua previsão inicial para o mercado brasileiro, com retração entre 10% e 15% nas vendas de caminhões novos neste ano. O executivo acredita que a recuperação provocada pelo programa reduzirá parte das perdas, mas ainda não será suficiente para reverter completamente o cenário.

Seminovos seguem em alta, mas crédito favorece caminhão zero

Outro reflexo observado pela Volvo aparece no mercado de usados. Segundo Cavalcanti, a procura por caminhões seminovos continua elevada. No entanto, muitos transportadores voltaram a priorizar o caminhão novo por causa das linhas de financiamento subsidiadas do Move Brasil.

Além disso, a atualização da tabela Fipe reduziu parte da valorização que os seminovos acumulavam nos últimos anos, aproximando os preços dos valores praticados nas negociações.

Para quem pretende renovar a frota, a recomendação é acompanhar de perto a disponibilidade dos recursos. Se a previsão da Volvo se confirmar, o programa entrará em uma nova fase já nas próximas semanas, com o mercado aguardando uma definição sobre a continuidade do financiamento para caminhões novos.

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