A transição energética no transporte rodoviário brasileiro deve seguir diferentes caminhos nos próximos anos. Enquanto caminhões elétricos e movidos a gás avançam gradualmente, a Volvo acredita no biodiesel puro. Ou seja, o conhecido B100, já que reúne as melhores condições para ganhar escala no curto prazo.

A avaliação considera um fator importante para quem vive do transporte. O caminhão praticamente mantém a mesma operação de um modelo a diesel convencional, sem exigir investimentos elevados em infraestrutura ou mudanças significativas na rotina do motorista.

Segundo o diretor-executivo de Caminhões da Volvo, Alcides Cavalcanti, a procura por veículos preparados para utilizar biodiesel puro cresceu nos últimos meses, principalmente entre empresas do agronegócio e produtores de biocombustíveis.

“Estamos percebendo um aumento dessa demanda. As empresas buscam reduzir as emissões e oferecer aos transportadores uma alternativa que diminui significativamente a pegada de carbono sem o custo de um caminhão elétrico ou movido a gás.”

Cerca de 300 caminhões já estão em operação

Desde 2024, a Volvo entregou aproximadamente 300 caminhões preparados para operar com B100, principalmente para empresas ligadas ao agronegócio e à cadeia de produção de biodiesel.

Entre os clientes estão grandes grupos produtores do combustível renovável, que utilizam os veículos tanto em operações próprias quanto em transportadoras parceiras.

Entretanto, o volume ainda depende da autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Antes da venda, a fabricante precisa confirmar que o cliente possui um fornecedor de biodiesel autorizado para abastecer a frota.

Segundo Cavalcanti, não se trata de uma venda convencional. “O cliente precisa apresentar o parceiro responsável pelo fornecimento do combustível. Depois da autorização da ANP, conseguimos fazer a proposta comercial.”

Operação praticamente igual à do diesel

Na prática, um dos principais diferenciais do B100 está na facilidade de adoção. O caminhão continua utilizando a mesma base mecânica, preservando características de torque, desempenho e autonomia adequadas para aplicações pesadas. Além disso, quando o veículo deixa essa operação específica, pode voltar a utilizar diesel convencional sem adaptações estruturais, o que também facilita sua revenda.

Outro ponto destacado pela Volvo é a redução das emissões de CO₂, estimada em cerca de 90% quando comparada ao diesel fóssil, dependendo da matéria-prima utilizada na produção do biodiesel.

Mercado ainda depende de maior oferta do combustível

Apesar do crescimento da demanda, a Volvo acredita que a expansão do B100 dependerá da evolução da legislação brasileira.

Hoje, a utilização do biodiesel puro permanece restrita e controlada pela ANP. Para a fabricante, a tendência é que o Marco Legal dos Combustíveis avance gradualmente na ampliação da participação do biodiesel na matriz energética brasileira, abrindo espaço para um número maior de aplicações com B100.

“O Brasil produz a matéria-prima, possui indústria consolidada e tem capacidade técnica para ampliar rapidamente essa tecnologia. À medida que houver maior flexibilização das regras, acreditamos que a adoção do B100 crescerá de forma acelerada.”

Elétrico e gás continuam nos planos

Embora enxergue o biodiesel como a solução mais madura para o mercado brasileiro, a Volvo mantém investimentos em outras tecnologias.

Os caminhões elétricos seguem em testes com clientes para validar custos operacionais, enquanto a fabricante também prepara a introdução da tecnologia a gás com motor ciclo Diesel movido a GNL, já disponível em alguns mercados da América Latina.

Para a empresa, porém, o B100 reúne uma vantagem importante: aproveita a infraestrutura existente, reduz emissões imediatamente e permite que transportadores iniciem a descarbonização sem alterar profundamente sua operação.

Essa característica faz do biodiesel, na visão da Volvo, uma das alternativas mais promissoras para acelerar a transição energética do transporte rodoviário brasileiro nos próximos anos.

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