A valorização do caminhoneiro segue como um dos principais desafios do transporte rodoviário no Brasil. Responsáveis por manter o país em movimento, esses profissionais são fundamentais para o abastecimento e para a economia nacional. Atualmente, cerca de 65% de toda a carga transportada no país passa pelas rodovias, o que reforça a importância da categoria para a circulação de alimentos, medicamentos, combustíveis e outros produtos essenciais.

Além disso, a relevância da profissão ficou ainda mais evidente durante a paralisação dos caminhoneiros em 2018, quando o país enfrentou desabastecimento em diversos setores. No entanto, apesar desse papel estratégico, a falta de reconhecimento, a baixa remuneração e as condições precárias de trabalho continuam sendo obstáculos para a valorização do caminhoneiro.

Em entrevista exclusiva ao O Carreteiro, Paulo Buriti, gerente corporativo da Corpvs, empresa especializada em telemetria, monitoramento e segurança operacional, afirma que o setor precisa olhar com mais atenção para quem move a economia brasileira. “É uma atividade primordial para o crescimento do país. Sem os caminhoneiros, o Brasil para. Mas, infelizmente, eles ainda não recebem a valorização compatível com a importância que têm”, afirma.

Falta de estrutura afeta a valorização do caminhoneiro

Um dos principais reflexos da falta de valorização do caminhoneiro é a dificuldade em atrair novos profissionais. Segundo Buriti, cada vez menos jovens demonstram interesse em seguir carreira na boleia. De acordo com ele, isso está diretamente ligado às condições de trabalho.

“A falta de estrutura pesa muito. Muitas vezes o motorista não encontra um local digno para parar, tomar banho, descansar ou se alimentar. Além disso, há a questão da remuneração, que muitas vezes não corresponde ao tamanho da responsabilidade que ele carrega”, explica.

Ao mesmo tempo, cresce também a saída de caminhoneiros brasileiros para países como Portugal, Inglaterra e Estados Unidos, em busca de melhores salários, infraestrutura e qualidade de vida.

Segurança nas estradas preocupa e impacta a profissão

Além da baixa valorização, a segurança nas estradas brasileiras continua sendo um desafio diário. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que, somente em 2024, foram registrados 31.232 acidentes envolvendo veículos de carga nas rodovias federais, uma média de 87 ocorrências por dia.

Segundo Buriti, o comportamento humano ainda aparece como principal fator de risco, especialmente por conta do cansaço e da pressão por prazos apertados. “Muitas vezes o motorista segue dirigindo sem o descanso adequado porque precisa entregar rápido ou porque depende daquele frete para fechar as contas. Esse cenário aumenta o risco para ele e para todos que estão na rodovia”, alerta.

Além disso, o roubo de cargas segue como outro fator crítico para a segurança e para a permanência de profissionais na atividade.

Tecnologia pode fortalecer a valorização do caminhoneiro

Por outro lado, a tecnologia no transporte rodoviário vem ganhando espaço como aliada da segurança e da valorização do caminhoneiro. Ferramentas como telemetria, videotelemetria, inteligência artificial e monitoramento em tempo real já ajudam a identificar comportamentos de risco antes que eles resultem em acidentes.

Segundo Buriti, esses sistemas conseguem detectar sinais de fadiga, sonolência, distração e uso do celular ao volante. “A tecnologia interage diretamente com o motorista. Se ela identifica sinais de cansaço ou desatenção, emite alertas sonoros recomendando uma parada ou orientando a manter o foco na via”, explica.

Além disso, esses recursos ajudam a proteger o profissional em situações de acidentes ou disputas judiciais.

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O futuro da profissão depende de mais reconhecimento

Para Buriti, o futuro do transporte rodoviário passa, necessariamente, pela valorização do caminhoneiro, tanto com melhores condições de trabalho quanto com maior integração tecnológica.

Na visão do especialista, o caminhoneiro do futuro precisará desenvolver novas habilidades e aprender a lidar com sistemas inteligentes que vão auxiliar desde a escolha da rota até diagnósticos preventivos do veículo. “Valorizar o caminhoneiro é garantir mais segurança, melhores condições de trabalho e reconhecer que sem ele o Brasil não avança”, conclui.