A evolução tecnológica vem transformando o transporte rodoviário de cargas no Brasil. Caminhões mais modernos, sistemas de rastreamento em tempo real, inteligência artificial, sensores de fadiga e ferramentas avançadas de navegação já fazem parte da rotina de muitas transportadoras. Em um país onde cerca de 65% das cargas são movimentadas pelas rodovias, a tecnologia passou a ser uma aliada importante para elevar a produtividade, reduzir custos e reforçar a segurança nas operações.
Mas, na prática, a inovação sozinha ainda não resolve todos os desafios do setor. Em entrevista exclusiva ao O Carreteiro, Leonardo Buzin, da Buzin Transportes afirma que o transporte rodoviário continua dependendo diretamente de um fator essencial, que são as pessoas.
Segundo ele, a tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas o resultado da operação ainda passa pelo motorista e pela forma como a gestão integra esse profissional dentro da estratégia da empresa. “A tecnologia é fantástica, mas o caminhão não roda sozinho. O sucesso da operação se resume a três pilares: caminhão produzindo, motorista satisfeito e pouco gasto com diesel. Se o profissional atrás do volante não estiver motivado e engajado, a máquina sozinha não faz milagre”, destaca.
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Na avaliação de Buzin, o equilíbrio entre caminhões modernos e mão de obra qualificada é o que sustenta uma operação eficiente. Hoje, a empresa opera com uma frota de cerca de 650 caminhões e aposta em tecnologias de monitoramento via satélite, sensores de fadiga, câmeras e inteligência artificial para acompanhar o desempenho da operação.
Ainda assim, ele reforça que nenhuma ferramenta substitui a experiência prática de quem vive a estrada. Isso porque, embora o GPS indique caminhos e a telemetria forneça dados em tempo real, muitas decisões dependem da leitura humana. Restrições de altura, peso, condições precárias de vias secundárias e particularidades regionais são fatores que muitas vezes escapam aos sistemas.
“Existem nuances que nenhum sistema consegue captar sozinho. São os profissionais que fazem a diferença para garantir segurança, eficiência e qualidade nas entregas”, reforça. E essa visão ganha ainda mais força quando observada na prática.

“A tecnologia ajuda muito e traz mais segurança, mas conhecer as manhas da estrada, entender o espaço e saber lidar com cada situação faz toda a diferença. Isso só a experiência ensina”, afirma.
Boa parte dessa experiência foi construída ao longo da convivência com o marido, que passou mais de um ano viajando ao seu lado para transmitir os conhecimentos práticos da profissão. Hoje, Deise encara a oportunidade de conduzir um rodotrem como uma conquista pessoal e profissional.
A trajetória dela também reforça outro ponto destacado por Leonardo Buzin: a importância do treinamento. Para o executivo, um dos erros mais comuns nas transportadoras é acreditar que o profissional não precisa evoluir ao longo da carreira. Em um cenário de caminhões cada vez mais tecnológicos, investir em capacitação se tornou essencial para garantir segurança, economia e produtividade.
Na Buzin, os treinamentos começam já no processo de contratação e seguem com reciclagens periódicas. A empresa também aposta no crescimento interno como forma de valorizar os profissionais e fortalecer a operação. Esse modelo de gestão, segundo Buzin, é estratégico para enfrentar um dos maiores desafios do setor atualmente: o apagão de mão de obra qualificada.
Enquanto o mercado acelera na renovação da frota, a dificuldade de encontrar motoristas preparados cresce na mesma proporção. Para ele, investir apenas no caminhão e esquecer quem está ao volante é um erro que pode comprometer toda a cadeia operacional. “O custo número um do transporte é o diesel, e quem controla esse consumo é o pé do motorista. Se você não valoriza esse profissional, perde produtividade, aumenta custos e compromete o resultado”, afirma.
No fim das contas, o avanço tecnológico segue como um caminho sem volta no transporte rodoviário. Mas a realidade das estradas mostra que, por trás de qualquer operação eficiente, ainda existe algo que nenhuma máquina substitui: experiência, treinamento e valorização de quem faz o caminhão rodar.






