O ano de 2022 não está sendo fácil para os caminhoneiros autônomos. A alta do diesel, desde o ano passado, assim como o aumento de todos os custos do caminhão como pneus, manutenção, alimentação, tem tirado o sono desses profissionais.
Para driblar a situação, alguns diversificaram o tipo de frete transportados, enquanto outros trocaram as viagens longas por trechos mais curtos.
Com o faturamento curto, os autônomos não conseguem se programar para investir em seu negócio. Pesquisa recente realizada pela CNTA – Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos – mostram que a média de idade dos caminhões é de 14 anos. Porém 17,7% dos caminhoneiros entrevistados possui veículo com mais de 21 anos. Entre as principais dificuldades enfrentadas pelos caminhoneiros quase 29% disse ser a remuneração e 33,2% a segurança.
O principal vilão desse comprometimento da remuneração é os aumentos constantes do diesel.

Uma das explicações do Higo para o aumento constantes do diesel é ser uma questão de guerra política. “Falam que vão tirar o ICMS mas o que vai adiantar? Vão deixar apenas as cidades sem recurso. Na minha opinião o Governo precisa intervir. Mas não é isso que acontece. O que assistimos de camarote são as transportadoras comprando caminhão, os fazendeiros plantando e o frete estagnado. Ai eu pergunto um caminhoneiro com 50 anos vai fazer o que da vida se parar o caminhão. Alguma coisa tem que mudar”, questionou.
Alta do diesel não puxa reajuste do frete
O certo, na opinião de Higo é as autoridades e os profissionais irem atrás das agências reguladoras, para cobrar fiscalização em relação aos fretes. Principalmente o de retorno, que quase sempre tem o valor muito baixo. Ele explica que os valores dos fretes nunca acompanham as altas do combustível, e não existe fiscalização para isso.
“Todos os custos sofreram aumento e os autônomos são os que mais estão sofrendo pois não conseguem fazer a conta fechar. Estão esmagando os autônomos. Não adianta fazer greve, tem que parar de transportar e deixar os produtos lá na lavoura no navio, na estrada. Sou contra tirar o direito de ir e vir. Não é preciso bloquear as rodovias. Simplesmente parar de transportar. Como o autônomo vai sobreviver nesse meio, com falta de crédito, preços de peças altas, mão de obra caríssima, está quase impossível fazer a manutenção do tipo troca de óleo e filtros. A realidade é triste!”.
Alta do diesel compromete a manutenção do caminhão

João chama a atenção para o estado de conservação dos caminhões. “Atualmente, ninguém está trocando pneu, acessório, paralama. Quebra e ninguém conserta. Os pneus é cada um de uma marca. Se colocar dinheiro na manutenção falta para o óleo diesel, alimentação, pedágio, oficina. Então a matemática não fecha. E não adianta ficar subindo o frete pois o reflexo vai ser sentido pelo consumidor. O leilão de frete é muito comum e quem se beneficia são as transportadoras”, destacou.
Uma das principais reclamações de João está no frete de retorno. Ele explica que em uma mesma rota, o frete sofre grandes variações e, como consequências, prejuízo. “Tenho um caminhão que vale R$ 600 mil. Se eu sair do Paranaguá/PR hoje até o Mato Grosso/MT tirando toda a depreciação do veículo e os custos vai me sobrar R$ 500,00. Isso porque, o frete de retorno que transporto é o adubo e o valor dele está bem abaixo do frete da ida que é grãos. Exemplo, frete de Sorriso/MT para Miritituba/PR é R$ 340,00. Chegando no Porto carrego adubo por R$ 85,00. A distância do porto de Miracatu para Sorriso é de 1100 km. Com o valor de R$85 em um caminhão de nove eixo não da nem R$ 5 mil . Enchendo o tanque imagina o quanto sobra?”, questiona. Com isso, segundo ele as transportadoras se beneficiam. Não é a toa que estão cheia de caminhões novos nos pátios. Os autônomos não conseguem trocar de caminhão.
Alta do diesel prejudica a renovação do caminhão

Outro fator que provoca o aumento do custo do caminhão é a falta de infraestrutura da estrada. De acordo com a pesquisa da CNTA, 34% dos caminhoneiros consideram a falta de infraestrutura na estrada como uma das principais dificuldades da profissão. “Trabalhando na região de Mato Grosso/MT para Colinas/TO no transporte do grão. As estradas estão com muito buraco. Um trecho de 30 quilômetros gasto 1h30. É um absurdo. E tudo isso compromete ainda ais a minha renda no final do mês”, explicou.
Alta do diesel faz caminhoneiros optarem por viagens mais curtas

A expectativa de Fabiano é que o preço do diesel volte a baixar ou que pelo menos o frete oferecido seja compatível para que possamos ter um pouco mais de estabilidade e rentabilidade na profissão.
Como fazer uma condução econômica no caminhão






