Os caminhoneiros em 2024 pedem mais valorização e oportunidades para conseguirem permanecer na profissão. Os últimos anos não têm sido fáceis para quem vive do transporte rodoviário de carga. Para os caminhoneiros os desafios passam pela falta de valorização, pouco acesso a créditos de financiamento para a troca de caminhão, baixa movimentação de carga, valor defasado de frete e alta de diesel.
A falta de expectativas para alguns profissionais coloca em dúvida a permanência na profissão. Outros ainda acreditam em tempos melhores e fazem planos para 2024. E, ainda tem ainda aqueles que, apesar de desanimados, colocam a paixão pelo caminhão acima de qualquer dificuldade.
Caminhoneiros em 2024: quais as expectativas na estrada?
Ana Paula Fernandes Boiani, 41 anos de idade e a mais de 20 anos na profissão, é de São Bernardo do Campo/SP. Ela começou a ter contato com caminhão com o ex marido. Mas, mesmo após a separação permaneceu no setor de transporte. Primeiro atuou em uma empresa de ônibus, mas a vontade de voltar para o caminhão falou mais forte e conseguiu uma oportunidade para trabalhar no transporte de peças e depois no de combustível. Atualmente é motorista de protótipo de teste dos caminhões Scania.

Mas, Ana alerta que essa realidade ainda não é sentida na estrada e denuncia a falta de infraestrutura para atender o público feminino. “Muitos postos não oferecem um banheiro descente e essa realidade parece não mudar, pois desde quando comecei com 17 anos é assim. Em São Paulo até encontramos alguma estrutura mas, em outras partes do País fica complicado. Se para homem é difícil imagina para nós. Mas isso não foi o suficiente para eu desistir”.
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Ao fazer um balanço de 2023, Ana acredita ter sido um ano de muita aprendizagem. “Sempre busquei crescer na profissão e hoje estou acumulando experiencia já que estava em um caminhão sider e agora em um nove eixo. Assim finalizo esse com muita gratidão pelos eventos que fiz pela Scania e que me ajudaram a crescer na profissão. Agradeço também pela união da minha família. Para 2024 quero focar nos estudos pois sem conhecimento a nossa vida estaciona. Vou entrar em um curso de inglês e aprimorar ainda mais a minha direção”.
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Para Marcos Aguiar, 34 anos de idade e sete de profissão, da cidade de Jequitai/MG, o ano de 2023 foi bom e os planos projetados deram certo. “Havia planejado fazer a minha casa, comprar o meu carro e isso já está pago e concluído. Para 2024 quero tentar comprar um caminhão para sair da vida de empregado para iniciar como autônomo”.

O ano de 2023 não foi muito bom para Adriana Marcolino, 41 anos e 15 de profissão, de Rondonópolis/MT. Em 2022 ela foi diagnosticada com leucemia e finalizou o tratamento no final daquele ano. Porém, apesar de estar curada ela adquiriu dividas para poder arcar com o tratamento particular, pois pelo atendimento público talvez não tivesse chance de sobreviver.

Adriana espera um 2024 de mais oportunidades. Está buscando oportunidade em uma empresa em Rondonópolis/MT para trabalhar com câmera fria. Enquanto isso, vai trabalhar em caminhão particular de um amigo puxando semente de Lucas do Rio Verde para todo o norte do Mato Grosso.
“Para mim seria ótimo pois poderia viajar e conhecer lugares e pessoas e sairia e chegaria na porta da minha casa. Espero também realizar meu sonho de finalizar a minha casa, que há dois meses com um vendaval perdi todo o telhado mas com a ajuda de amigos na estrada consegui cobrir novamente. Gostaria também de comprar um carro.
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Entre os desafios enfrentados, Lucilene cita a resistência da mãe em relação a profissão, preconceito de alguns homens na estrada em relação a capacidade de uma mulher dirigir, GPS que muitas vezes indicam caminhos errados e a insegurança quando o caminhão quebra. “Sou apaixonada pela profissão, tenho uma filha de 21 anos, que me apoia, tem muito orgulho da minha profissão. As vezes ainda levo ela pra viajar junto comigo e coloco junto no serviço. Minha mãe reconheceu que eu dou conta do recado e muitos homens deixaram o preconceito de lado e nos apoiam”.
Lucilene fala também sobre o apoio que recebeu de todas as empresas que já trabalhou. “Tenho muito orgulho da empresa que trabalho hoje, principalmente por se importarem com o bem estar de cada funcionário”, destacou.

Em relação aos planos para 2023, Antonio conta que alguns deles tiveram de ser adiados, mas acredita em mudanças. “Eu creio em Deus e para mim os pontos negativos são apenas passageiros. Para 2024 os meus planos incluem quitar as dívidas com o caminhão e colocá-lo em meu nome, em maio do próximo ano pago a última parcela. Aos colegas deixo uma mensagem nunca desistam de seus sonhos. Tenha fé e siga em frente”, finalizou.
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