O governo federal anunciou nesta quinta-feira (12) um pacote de medidas para tentar conter a alta do diesel no Brasil, combustível essencial para o transporte rodoviário de cargas. A principal iniciativa é a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, além da concessão de subsídios a produtores e importadores do combustível.

O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em coletiva no Palácio do Planalto, ao lado de ministros da área econômica e energética. Segundo o governo, apenas a retirada dos tributos federais pode reduzir o preço do diesel em cerca de R$ 0,32 por litro. Com a soma das demais medidas, a queda potencial pode chegar a até R$ 0,64 por litro.

A iniciativa surge em um momento de forte pressão nos preços dos combustíveis. Levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), divulgado pela empresa Edenred, mostra que o diesel S-10 registrou aumento de 7,72% no início de março, passando de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro entre a última semana de fevereiro e a primeira semana de março.

O diesel comum também apresentou avanço expressivo, com alta de 6,10%, saindo de R$ 6,23 para R$ 6,61 no mesmo período. Já a gasolina teve aumento mais moderado, de 1,24%, chegando a R$ 6,52 por litro.

Alta do diesel pressiona frete

Para o setor de transporte rodoviário, o diesel representa o principal componente de custo das operações. Por isso, qualquer aumento no preço do combustível impacta diretamente o valor do frete e a rentabilidade de transportadoras e caminhoneiros autônomos.

Além disso, o diesel costuma reagir mais rapidamente às oscilações do mercado internacional de petróleo. Nos últimos dias, o barril chegou a se aproximar de US$ 120, impulsionado pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Outro fator que amplia a sensibilidade do mercado brasileiro é a dependência de importações. Atualmente, entre 20% e 30% do diesel consumido no país vem do exterior, o que torna os preços internos mais vulneráveis às variações do mercado global.

Alta do diesel: compensação virá do petróleo

Para compensar a perda de arrecadação com a retirada do PIS e Cofins, o governo decidiu aumentar o imposto sobre a exportação de petróleo. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a estratégia é direcionar parte dos ganhos obtidos com a venda de petróleo para reduzir o impacto da alta dos combustíveis sobre os consumidores.

O pacote também prevê reforço na fiscalização do mercado de combustíveis pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O objetivo é evitar retenção de estoques e coibir possíveis aumentos abusivos nos postos.

Com as medidas, o governo busca amenizar os efeitos da volatilidade do petróleo sobre o diesel e reduzir a pressão sobre os custos logísticos, que acabam sendo repassados para toda a cadeia de transporte e distribuição no país.

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