A BioRota da Copersucar mostra que a descarbonização do transporte rodoviário vai muito além da substituição do diesel por um combustível renovável. Na prática, o sucesso da operação depende da integração entre toda a cadeia logística, desde a produção do biometano até a operação dos caminhões nas estradas. Quando usinas, transportadoras, fabricantes de veículos, operadores logísticos e motoristas trabalham de forma coordenada, a redução das emissões de CO₂ passa a caminhar lado a lado com a eficiência operacional e a redução de custos.

Lançada oficialmente em 2025, após dois anos de desenvolvimento, a BioRota transformou resíduos da produção de açúcar e etanol em biometano para abastecer caminhões que percorrem longas distâncias até o Porto de Santos. Como resultado, a operação reduz em até 90% as emissões de CO₂ e ainda diminui entre 20% e 30% o custo do combustível em comparação ao diesel.

Segundo Rodrigo Lima, diretor de Operações e Logística da Copersucar, o projeto nasceu para provar que sustentabilidade e competitividade econômica podem caminhar juntas.“O biometano reduz cerca de 90% das emissões de CO₂ e já nasce competitivo. Hoje ele custa entre 20% e 30% menos que o diesel. Essa combinação foi fundamental para transformar o projeto em uma operação consolidada.”

BioRota da Copersucar fortalece a economia circular

A BioRota da Copersucar tem como base a economia circular. A vinhaça e a torta de filtro, resíduos gerados durante a fabricação de açúcar e etanol, passam por um processo de biodigestão que gera biogás. Em seguida, esse biogás é purificado e transformado em biometano, combustível renovável que abastece os caminhões da operação.

Depois da produção do combustível, o material restante retorna às lavouras na forma de biofertilizante, fechando um ciclo sustentável em que praticamente nenhum resíduo é descartado. “É uma economia totalmente circular. Aproveitamos os resíduos, produzimos combustível renovável e ainda devolvemos biofertilizantes para o campo”, explica Rodrigo Lima.

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BioRota da Copersucar depende da integração de toda a cadeia

Entretanto, produzir biometano representa apenas uma etapa da operação. Para que a BioRota da Copersucar funcione de forma eficiente, foi necessário integrar toda a cadeia logística.

A produção do combustível nas usinas, a disponibilidade de caminhões movidos a gás, os investimentos das transportadoras em infraestrutura própria de abastecimento, o planejamento das rotas e a capacitação dos motoristas fazem parte do mesmo projeto. Ou seja, cada elo exerce um papel decisivo para garantir eficiência operacional e viabilidade econômica.

Hoje, cinco transportadoras participam da operação, entre elas a Reiter Log, responsável por investir em postos próprios de abastecimento e ampliar a autonomia dos veículos.

Segundo Vanessa Reiter, vice-presidente de ESG da Reiter Log, a integração entre todos os envolvidos explica o sucesso da iniciativa. “Não existe verde no vermelho. Sustentabilidade precisa caminhar junto com produtividade. Projetos como a BioRota só funcionam porque toda a operação foi desenhada para isso.”

Além disso, a empresa implantou um dos maiores pit stops internos de abastecimento a gás do Brasil, localizado em Barueri (SP), além de outras unidades espalhadas pelo país.

BioRota da Copersucar reduz custos operacionais

Além do impacto ambiental, a BioRota da Copersucar também melhora a competitividade do transporte rodoviário.

Como o combustível representa cerca de 40% do custo operacional de uma transportadora, substituir o diesel por um combustível até 30% mais barato gera uma economia significativa ao longo da operação.

Outro diferencial é que o biometano sofre menos influência das oscilações do mercado internacional de petróleo.

“O Brasil ainda importa cerca de 20% do diesel que consome. Ao substituir parte desse diesel pelo biometano, reduzimos custos para o transportador e também diminuímos a dependência externa do país”, afirma Rodrigo Lima.

BioRota da Copersucar já é referência mundial

Atualmente, a Copersucar considera a BioRota da Copersucar a maior operação de transporte rodoviário de longa distância movida a biometano do mundo.

Hoje, aproximadamente 74 caminhões operam utilizando o combustível renovável, enquanto a expectativa é superar 100 veículos ainda nesta safra.

Os caminhões percorrem até 700 quilômetros por abastecimento, completando viagens de aproximadamente 1.400 quilômetros entre ida e volta. Para alcançar essa autonomia, algumas transportadoras instalaram cilindros adicionais, conhecidos no setor como “mochilão”, que aumentam significativamente a capacidade de armazenamento do biometano.

BioRota da Copersucar amplia a produção de biometano

Atualmente, duas usinas ligadas à Copersucar produzem biometano e outras três estão em fase de implantação. Entretanto, o plano da companhia é muito mais ambicioso.

Até 2036, a empresa pretende contar com as 42 usinas produzindo o combustível renovável. Com isso, a capacidade diária poderá crescer dos atuais cerca de 100 mil metros cúbicos para um potencial entre 2,3 milhões e 4 milhões de metros cúbicos.

Além de abastecer sua própria operação logística, a companhia pretende ampliar a oferta de biometano ao mercado, fortalecendo o acesso ao combustível em regiões onde o gás natural ainda possui infraestrutura limitada.

BioRota da Copersucar também transforma a rotina dos motoristas

Além da tecnologia e da infraestrutura, a BioRota da Copersucar também exigiu mudanças na rotina dos motoristas.

A operação demandou treinamentos específicos sobre abastecimento, autonomia, condução econômica e segurança dos caminhões movidos a gás. No início, segundo Vanessa Reiter, houve resistência natural e dúvidas sobre a nova tecnologia. “Precisamos mostrar que o caminhão a gás é extremamente seguro e treinar os motoristas para entenderem a autonomia, o abastecimento e a forma correta de condução. Hoje essa adaptação faz parte da operação.”

BioRota da Copersucar acelera a transição energética

Mais do que substituir o diesel, a BioRota da Copersucar demonstra que a transição energética depende da colaboração entre diferentes setores da cadeia logística.

Ao integrar produção de combustível renovável, infraestrutura, fabricantes de caminhões, transportadoras, operadores logísticos e motoristas, o projeto comprova que é possível reduzir emissões de CO₂ sem abrir mão da produtividade e da competitividade.

Dessa forma, a experiência da Copersucar reforça que o futuro do transporte rodoviário brasileiro será construído por um ecossistema integrado, capaz de unir inovação, sustentabilidade, eficiência operacional e redução de custos.