Fazer o caminhão render mais, reduzir e controlar os custos na estrada, ainda mais em momentos de instabilidade econômica, é o objetivo de todo caminhoneiro, principalmente os autônomos. Saber administrar os gastos e evitá-los ajuda a melhorar o faturamento no final do mês. Além disso, quando o caminhoneiro reduz e controla de maneira eficiente os custos consegue se planejar, poupar e se organizar para melhorar o seu negócio. 

Mudanças no dia a dia podem contribuir para essa melhorar a relação de entrada e saída. Mas, para isso é necessário ter uma planilha de custo eficiente para entender todos os gastos e depois obter pequenas economias. Fazer um planejamento da rota, manutenção preventiva no caminhão, preparar a refeição no caminhão e até mesmo melhorar a maneira de dirigir buscando sempre uma economia de diesel podem ser o primeiro passo. 

Diante desse cenário, Lauro Valdivia, engenheiro de transporte reforça que o primeiro passo para qualquer transportador, seja autônomo ou empresário, é conhecer os próprios custos. “Você só consegue reduzir o que sabe medir.  É como querer fazer um regime sem balança”, compara.
O especialista recomenda que o caminhoneiro anote tudo combustível, pedágio, pneu, alimentação, IPVA, licenciamento, seguro e manutenção. “Tem que saber exatamente quanto gasta e quanto sobra. Só assim dá pra saber se o frete cobre todos os custos e ainda gera lucro”, explica.

Caminhão render mais: direção econômica faz toda diferença

Ele lembra que o combustível é o item que mais pesa, e por isso merece atenção redobrada. Uma boa opção é buscar alternativas, como treinamentos gratuitos ou aplicativo de consumo, para uma condução mais econômica.  “Cada economia, por menor que pareça, faz diferença. No transporte, o lucro é pequeno. Então economizar 0,5% no pneu pode representar até 10% a mais de lucro”, contabiliza.

Para Valdivia, a preocupação com eficiência e economia deve ser constante, e não apenas uma reação a momentos difíceis. “A crise serve para abrir os olhos, mas o ideal é que o caminhoneiro tenha essa cultura de gestão sempre. Cada litro de diesel economizado, cada pneu que dura mais, é dinheiro que ele poderia estar guardando há anos”, observa.

Além de controlar os custos, Valdivia destaca a produtividade como fator-chave. Isso inclui otimizar o número de viagens por mês e reduzir o tempo parado em carga e descarga. “Quanto mais o caminhão roda, maior a receita. O motorista deve tentar negociar com os clientes para agilizar esses processos, sempre que possível.”

Outro erro comum, segundo o especialista, é escolher o frete apenas pelo valor da ida. “Às vezes o caminhoneiro aceita uma carga que paga mais, mas esquece de avaliar o retorno. Se não tiver carga para voltar, o que ele ganhou não compensa o custo de rodar vazio. O frete precisa ser analisado sempre considerando ida e volta”, alerta.

Ele também recomenda avaliar outros fatores, como o tempo fora de casa e o custo diário do caminhão. Afinal, Valdivia ressalta que não adianta pegar um frete que paga mais se o motorista terá de esperar 15 dias por uma carga de retorno. O custo diário do caminhão é alto, e o tempo longe da família também pesa.

Por todos esses motivos, Valdivia enfatiza que o caminhão exige planejamento financeiro rigoroso. “Não dá para pensar só nos gastos imediatos. É preciso guardar dinheiro para manutenção, troca de pneus, licenciamento, seguro e até para a troca do próprio caminhão. Manutenção de caminhão é pesada. Se o motorista não se planejar, não tem como pagar”, explica.

O endividamento é outro ponto de alerta. Muitos motoristas se comprometem com parcelas altas de financiamento sem calcular o impacto na renda. A parcela, segundo o engenheiro, é um custo fixo que pressiona muito. “Diferente da manutenção, que às vezes dá pra adiar um pouco, o boleto chega todo mês. Aí o motorista acaba aceitando qualquer frete só pra pagar a parcela”, comenta

O ideal, segundo ele, é que o frete gere lucro suficiente para o caminhoneiro formar uma reserva e trocar de caminhão sem precisar financiar novamente. “Se ele começou financiado, tudo bem. Mas o objetivo deve ser, aos poucos, substituir parte da parcela por recursos próprios. Só assim ele reduz a pressão e ganha mais liberdade para escolher os fretes.”

Valdivia conclui com um alerta: “Quem não acordar para a importância da gestão e do controle de custos corre o risco de não sobreviver a uma nova crise. O caminhão é essencial para o País, mas ele só é sustentável se der lucro para quem dirige.”

Caminhão render mais: mudanças na rotina pode ajudar a melhorar o faturamento

Organização da cozinha e alimentação na estrada

Montar um cardápio básico antes da viagem ajuda o caminhoneiro a se organizar e economizar. Quem tem geladeira no caminhão pode variar mais nas refeições, incluindo frutas, legumes e proteínas, evitando paradas desnecessárias e gastos extras. Já quem não possui deve priorizar alimentos não perecíveis e planejar bem as compras para não haver desperdício.

 Cozinha compartilhada

Combinar paradas e dividir refeições com colegas de estrada também é uma boa alternativa para economizar. Além de reduzir custos, cozinhar em grupo torna o momento mais leve e prático.

Planejamento da viagem

Traçar o roteiro antes de sair é essencial. Planejar as paradas, conferir preços de abastecimento e calcular pedágios evita imprevistos e ajuda no controle de gastos. Aplicativos de rotas facilitam esse processo e indicam locais com infraestrutura e segurança. Conhecer o trajeto também permite se programar para o frete de retorno e evitar rodar vazio.

Consumo de diesel

Controlar o consumo é o primeiro passo para economizar. Segundo o engenheiro Lauro Valdivia, o motorista precisa saber qual é a média de consumo do caminhão para entender onde pode melhorar. A forma de dirigir, a manutenção em dia e até a calibragem dos pneus influenciam diretamente. Trocar marchas na rotação certa, usar o freio motor e manter velocidade constante são hábitos que reduzem o gasto de combustível.

Manutenção preventiva

Cuidar do caminhão antes que ele apresente falhas é uma das maneiras mais eficazes de economizar. A manutenção preventiva custa, em média, três vezes menos que o reparo corretivo e evita paradas não programadas, atrasos nas entregas e até acidentes. Freios, óleo, filtros e cubos das rodas merecem atenção especial. Um caminhão bem cuidado roda mais, consome menos e gera mais lucro.

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