O transporte de produtos perigosos entrou na pauta do movimento Maio Amarelo. Afinal, qualquer falha pode provocar impactos graves à saúde pública, ao meio ambiente e à segurança viária, especialistas reforçam que a prevenção precisa começar muito antes do veículo entrar na estrada.
Segundo definição da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), carga perigosa é toda substância que representa risco à segurança pública, à saúde das pessoas ou ao meio ambiente, conforme critérios internacionais de classificação da ONU. Diante desse cenário, o transporte desse tipo de carga exige uma operação altamente controlada, baseada em procedimentos técnicos, capacitação profissional e monitoramento constante.
Para a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), o Maio Amarelo é uma oportunidade importante para fortalecer a cultura de prevenção dentro do setor. A entidade destaca que reduzir acidentes vai muito além da condução segura do veículo. O processo envolve manutenção preventiva da frota, análise de rotas, correta sinalização da carga, equipamentos adequados e gestão de risco durante toda a operação.
Segundo Eduardo Leal, secretário executivo da ABTLP, a segurança precisa ser tratada como prioridade absoluta no transporte de produtos perigosos. “A segurança não pode ser vista apenas como uma exigência regulatória, mas como uma condição indispensável para que a operação aconteça. Sem procedimentos técnicos adequados, equipamentos específicos, capacitação contínua e rígido controle operacional, o transporte fica exposto a riscos que podem comprometer vidas, o meio ambiente, o patrimônio e a própria continuidade da operação”, afirma.
O dirigente destaca ainda que campanhas educativas ajudam a ampliar a conscientização sobre responsabilidade no trânsito. “As pessoas passam a refletir mais sobre as consequências que determinadas condutas imprudentes podem gerar, tanto para si quanto para os demais usuários das vias. Esse processo de conscientização é essencial para fortalecer uma cultura de prevenção no transporte”, pontua.
A ABTLP também reforça que a gestão de risco deve começar antes mesmo da saída do caminhão, por meio da avaliação criteriosa das condições da viagem, da documentação, das rotas, dos equipamentos de segurança e dos procedimentos operacionais. Durante o Maio Amarelo, a entidade promove conteúdos técnicos, palestras e debates com especialistas para reforçar a importância da prevenção e da segurança operacional no transporte rodoviário.
Como agir em caso de acidente com produtos perigosos
Além da prevenção, especialistas alertam que a população também precisa saber como agir diante de acidentes envolvendo cargas perigosas. Muitas vezes, a tentativa de ajudar sem conhecimento técnico pode aumentar ainda mais os riscos.
Não se aproxime do local
A principal orientação é manter distância do acidente. Alguns produtos podem liberar gases tóxicos, incolores e sem cheiro, capazes de causar intoxicação grave e até fatal. Mesmo em situações aparentemente controladas, o risco de contaminação existe.
Observe os painéis de segurança
Os números presentes no painel de segurança e os rótulos de risco do veículo são fundamentais para o atendimento das equipes de emergência. Caso seja possível visualizar à distância e em segurança, anote corretamente essas informações, além de identificar se há vazamento de líquidos ou gases.
Acione as autoridades
O recomendado é avisar imediatamente a Polícia Rodoviária e o Corpo de Bombeiros pelos telefones 190 e 193, informando a rodovia, o quilômetro exato do acidente e os números identificados no painel do caminhão. Também é importante alertar outros motoristas para que evitem se aproximar da área.
Evite a aproximação de curiosos
Se houver condições seguras, a orientação é tentar impedir a aproximação de pessoas no local. O acesso deve permanecer livre para as equipes de emergência e resgate, que necessitam de espaço para atuar rapidamente e controlar os riscos da ocorrência.
O Maio Amarelo reforça justamente essa necessidade de conscientização coletiva. No transporte de produtos perigosos, prevenção, informação e responsabilidade compartilhada são fatores essenciais para reduzir acidentes e preservar vidas nas rodovias brasileiras.
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