Os Grupos Daimler e Volvo definiram oficialmente hoje, 29 de abril, a união para acelerar, desenvolver e produzir de células de combustível baseadas em hidrogênio para movimentar caminhões rodoviários e outras aplicações.

Pelo acordo, a empresa Cellcentric GmbH & Co. KG conta com participação de 50% de cada Grupo e o objetivo dos parceiros é torná-la uma fabricante global de células de combustível e avançar em direção ao transporte sem emissões e sustentável até 2050.

As negociações entre os dois Grupos vinham desde abril de 2020 quando foi firmado um acordo preliminar não vinculativo, seguido pela assinatura de um contrato de joint venture entre os dois Grupos em novembro passado. O Grupo Volvo adquiriu 50% das participações na empresa Daimler Truck Fuel Cell GmbH & Co. KG e ambos formaram a empresa “Cellcentric GmbH & Co. KG” em 1º de março de 2021.

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Sistema de célula de combustível para aplicação pesada. Testes de caminhões com clientes  estão previstos para ter início em cerca de três anos. Já a produção em série entre 2025 e 2030

Duas gigantes da indústria de veículos pesados e donas de diferentes marcas em várias partes do mundo, a parceria é restrita ao deselvovimento e produção de células de combustível. Nas demais áreas ambas continuarão a ser concorrentes, especialmente àquelas ligadas à tecnologia e integração da célula de combustível em seus respectivos veículos.

E conforme foi anunciado hoje, a meta do Grupo Daimler e do Grupo Volvo é começar os testes junto a clientes de caminhões com células de combustível em cerca de três anos. Já a produção em série dos veículos pesados com células de combustível está prevista para ter início entre 2025 e 2030.

Na visão dos parceiros, a energia das células de combustível baseadas em hidrogêncio tende a ser a opção preferida para o transporte pesado de longas distâncias no futuro. Já a energia obtida por meio de baterias deverá ser mais utilizada em caminhões e veículos comerciais aplicados no transporte de cargas mais leves em curtas distâncias. O Grupo Volvo, por exemplo, já anunciou para 2022 o início da produção de caminhões pesados movidos a bateria.

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CellCentric, de propriedade dos dois Grupos, já trabalha para a produção de célula de combustível. Fabricantes de caminhões querem 1000 postos de abastecimento de hidrogênio instalados até 2030

No entanto, o objetivo conjunto de ambos os Grupos é cumprir as metas do Acordo de Paris de se tornar neutro em relação ao CO2 até 2050. “Estamos convencidos de que a tecnologia de células de combustível baseadas em hidrogênio desempenhará um papel essencial para nos ajudar a alcançar esse marco. Mas sabemos que há muito mais a alcançar do que apenas a eletrificação de máquinas e veículos”, afirmou o presidente e CEO do Grupo Volvo, Martin Lundstedt.

No entender do executivo, é preciso haver maior cooperação entre setor público e privado para desenvolver tecnologia e infraestrutura necessárias e ação unida de legisladores e governos em todo o mundo para ajudar a tornar a tecnologia das células de combustível baseadas em hidrogênio um sucesso. “Parcerias como a ‘Cellcentric’ são vitais para o nosso compromisso com a descarbonização do transporte rodoviário”, complementou.

MArtin Daum Grupo Daimler e Martin Martin Lundstedt Grupo Volvo
Em combinação com caminhões elétricos movidos a bateria, a célula de combustível vai nos oferecer as melhores opções de veículos genuinamente neutros de CO2, disse Martin Daum, do Grupo Daimler. Martin Lundstedt, do Grupo Volvo, destacou que a tecnologia de células de combustível baseadas em hidrogênio terá papel essencial para tornar o transporte livre de CO2

Os caminhões elétricos movidos a células de combustível baseadas em hidrogênio serão a chave para permitir o transporte neutro de CO2 no futuro, complementou o CEO da Daimler Truck AG e membro do conselho de administração da Daimler AG, Martin Daum. “Em combinação com caminhões elétricos movidos a bateria, permite-nos oferecer aos nossos clientes as melhores opções de veículos genuinamente neutros de CO2, dependendo da aplicação. Sozinhos, os caminhões elétricos movidos a bateria não tornarão isso possível”, disse o executivo.

Ainda na fala de Martin Daum, a parceria com o Grupo Volvo envolve o comprometimento total em relação à célula de combustível e que a Cellcentric está avançando no desenvolvimento da tecnologia, bem como nos preparativos para a produção em série. “Com relação à infraestrutura de hidrogênio necessária, está claro que o hidrogênio verde é a única maneira sensata de avançar a longo prazo”, acrescentou.

Por ser o hidrogênio um combustível limpo para abastecer veículos pesados, os principais fabricantes de caminhões na Europa já estão pedindo a instalação de aproximadamente 300 postos de abastecimento de hidrogênio de alto desempenho adequados para veículos pesados até 2025 chegando a 1.000 no máximo até 2030.