Acessos a portos e terminais operam acima da capacidade

1432Os transtornos provocados pela safra deste ano, que está movimentando 13 mil caminhões por dia, continuam em alguns locais do País. O acostamento da rodovia Cônego Domênico Rangoni, próximo ao porto de Santos, por exemplo, se transformou em estacionamento de caminhões. Em alguns trechos, as carretas param também em fila dupla, gerando nos horários de pico fica grandes congestionamentos.

Alguns terminais estão operando acima da capacidade. Os caminhões, sem ter como entrar nas empresas, param nas estradas. Apesar das prefeituras de Santos e de Guarujá terem multado os terminais, os problemas ainda permanecem. Aessos estão fechados para tentar amenizar os congestionamentos. Mesmo depois de enfrentar fila, o trabalho dos caminhoneiros não termina por causa da falta de previsão para descarregar.

Outro local com dificuldades é o sul de Mato Grosso. No terminal ferroviário de Alto Araguaia, centenas de caminhões estão parados. Uma fila de 60 quilômetros se formou na BR-364, no trecho entre Alto Araguaia, onde fica o terminal ferroviário, e o município de Alto Garças. Cerca de dois mil caminhões esperam para descarregar a carga de grãos. O pátio da empresa que administra o local, a ALL, está com lotação máxima.

Carretas carregadas com 50 toneladas de soja em Sapezal, no meio-norte do Mato Grosso, levam três dias a mais para fazer a descarga nos Portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). A viagem de 2,2 mil quilômetros, que há dois anos levava seis dias, ficou mais demorada este ano em razão das precárias condições das estradas e do gargalo nos portos.

Como consequência da demora dos veículos para retornar já existe registro de falta de caminhões e com isso o custo do frete dobrou e absorve 27% do valor da soja na região, uma das principais produtoras desse grão no Estado. Mato Grosso lidera a produção nacional de soja que, nesta safra, chegará a 66,3 milhões de toneladas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“As estradas estão em péssimas condições e os caminhões viajam em comboios, com velocidade reduzida”, afirmou o produtor e presidente do Sindicato Rural de Sapezal, Claudio José Scariote.

Para o operador Joel Soares, coordenador de logística de uma das maiores transportadoras de Rondonópolis, na região sul do Mato Grosso, o principal gargalo está nos portos. “Uma carreta perde de 24 a 30 horas na descarga, o que é um absurdo”. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, as estradas não comportam o volume de caminhões.

Com informações G1 e Globo Rural