Roubo de cargas passou a apresentar uma concentração maior em trechos urbanos no primeiro semestre de 2026. Segundo levantamento da nstech, essas áreas responderam por 39,6% do valor dos prejuízos registrados nas operações monitoradas, praticamente o dobro dos 20,4% contabilizados no mesmo período de 2025. O Rio de Janeiro também ganhou destaque no mapa das ocorrências e ultrapassou São Paulo na participação dos prejuízos.

O cenário chama a atenção principalmente porque o Sudeste concentrou 77,2% do valor perdido com roubos de cargas entre janeiro e junho, contra 60,5% no primeiro semestre do ano passado. Além disso, quatro dos dez municípios com maior participação nos prejuízos ficam no Rio de Janeiro.

Roubo de cargas se concentra no Sudeste e muda perfil das ocorrências

O levantamento aponta uma mudança na distribuição geográfica do roubo de cargas. O Rio de Janeiro passou de 16,1% para 36,6% da participação no valor dos prejuízos registrados nas operações analisadas. São Paulo, por outro lado, caiu de 34,2% para 30,9%. Minas Gerais aparece em seguida, com 9,3%.

Entre os municípios, a capital fluminense, Duque de Caxias, São Gonçalo e Nova Iguaçu estão entre os dez com maior participação nos prejuízos. Juntos, os quatro municípios representaram 31% do valor registrado no grupo analisado.

Além da concentração regional, o levantamento mostra que os trechos urbanos ganharam espaço no mapa do roubo de cargas. A participação passou de 20,4% para 39,6% em um ano. As rotas SP–SP e RJ–RJ, por sua vez, responderam juntas por 28,8% do valor dos prejuízos monitorados.

BR-101 e BR-116 aparecem entre os principais corredores de risco

A mudança também aparece na distribuição dos prejuízos pelas rodovias. A BR-101 respondeu por 17,1% do valor registrado no primeiro semestre, ante 10,8% no mesmo período de 2025.

Na sequência aparece a BR-116, que passou de 4,8% para 8,2% de participação nos prejuízos. Os dados reforçam a necessidade de que transportadores considerem as características de cada rota no planejamento das operações e nas estratégias de gerenciamento de riscos.

Para Marcos Siqueira, presidente da Comissão de Transportes da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), os números mostram uma mudança na distribuição dos prejuízos e o avanço dos trechos urbanos.

Segundo ele, o cenário exige acompanhamento permanente e medidas de gerenciamento de riscos adequadas às características de cada operação.

Seguro ganha importância diante do cenário de roubo de cargas

A mudança no perfil do roubo de cargas ocorre no mesmo período em que novas exigências relacionadas aos seguros obrigatórios passaram a fazer parte da rotina dos transportadores.

Desde 1º de julho, os transportadores precisam comprovar a contratação dos seguros obrigatórios previstos na Lei nº 14.599/2023 para manter ativo o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC). A exigência está prevista na Resolução ANTT nº 6.068/2025.

Entre as coberturas obrigatórias está o Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga (RC-DC), que contempla ocorrências como roubo e furto. De acordo com dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o segmento arrecadou R$ 657,7 milhões em prêmios no primeiro semestre de 2026 e pagou R$ 248,6 milhões em indenizações no período.

Já o Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C), voltado para perdas ou danos às mercadorias decorrentes de acidentes previstos na apólice, pagou mais de R$ 634 milhões em indenizações nos seis primeiros meses do ano.

No ano passado, o mercado de RC-DC registrou R$ 1,4 bilhão em prêmios e R$ 531,5 milhões em indenizações.

Novas regras podem ampliar contratação de seguros

Com a obrigatoriedade de comprovação dos seguros para manutenção do RNTRC, a expectativa da CNseg é de crescimento de 2,9% do seguro de transporte em 2026.

“A expectativa é de que a exigência de comprovação dos seguros obrigatórios contribua para ampliar as contratações no segundo semestre”, afirma Siqueira.

Para o executivo, a mudança também reforça a importância do seguro diante da alteração das rotas e dos locais de maior exposição aos roubos.

O cenário indica, portanto, que o transportador precisa acompanhar não apenas os índices gerais de roubo de cargas, mas também como os riscos se distribuem ao longo das rotas. Com o avanço das ocorrências em áreas urbanas e a concentração dos prejuízos em determinados municípios e corredores rodoviários, o gerenciamento de riscos passa a exigir uma análise cada vez mais específica da operação.