Você acorda cansado mesmo depois de dormir? Ronca alto? Já precisou abrir a janela, aumentar o volume do rádio ou tomar café para espantar o sono durante uma viagem? Se a resposta for sim, talvez o problema não seja apenas o excesso de trabalho. Esses sinais podem indicar apneia do sono em caminhoneiros, uma doença silenciosa que afeta a qualidade do descanso, aumenta o risco de acidentes e também favorece o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Na doença, ocorre uma obstrução total ou parcial das vias aéreas durante o sono. Como consequência, a respiração para diversas vezes ao longo da noite. Em alguns pacientes, essas interrupções duram cerca de 20 segundos, mas podem chegar a dois minutos e se repetir centenas de vezes.
Por que a apneia do sono em caminhoneiros preocupa?
A apneia do sono em caminhoneiros merece atenção porque a rotina da profissão reúne diversos fatores que favorecem o desenvolvimento da doença. Jornadas prolongadas, horários irregulares, alimentação inadequada, sedentarismo e excesso de peso fazem parte da realidade de muitos motoristas profissionais.
Além disso, grande parte da categoria é formada por homens acima dos 40 anos, justamente um dos grupos com maior risco para desenvolver a doença.
A especialista lembra que a obesidade está presente em aproximadamente 70% dos pacientes com apneia. Hipertensão, diabetes, resistência à insulina e síndrome metabólica também aparecem com frequência e costumam caminhar junto com o distúrbio do sono.
Dormir muitas horas nem sempre significa descansar
Um dos maiores desafios é que muitos motoristas convivem com a doença sem perceber.
Mesmo dormindo oito, dez ou até doze horas, quem sofre de apneia pode acordar exausto. Isso acontece porque as interrupções na respiração provocam pequenos despertares durante toda a noite, impedindo que o organismo alcance o sono profundo, responsável pela recuperação física e mental.
Além da sonolência excessiva durante o dia, outros sintomas chamam atenção. Dor de cabeça ao acordar, boca seca, dificuldade de concentração, perda de memória, diminuição da capacidade cognitiva e queda da libido também podem indicar que algo não vai bem.
O sono ao volante pode ser tão perigoso quanto o álcool
Os efeitos da apneia do sono em caminhoneiros vão muito além do cansaço.
A doença reduz a atenção, compromete os reflexos e aumenta o tempo de reação diante de situações de emergência. Por isso, especialistas já comparam os efeitos da privação de sono aos do consumo de álcool.
Estudos mostram que permanecer acordado entre 17 e 19 horas provoca um comprometimento semelhante ao de uma pessoa alcoolizada. Após cerca de 24 horas sem dormir, esse prejuízo se torna ainda maior.
Outro problema é que muitos motoristas acreditam estar em condições de continuar dirigindo quando, na realidade, já apresentam sinais importantes de fadiga.
Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), o cansaço está relacionado a cerca de 42% dos acidentes registrados no trânsito. Já a Polícia Rodoviária Federal alerta que esse número pode ser ainda maior, pois nem sempre a sonolência é identificada durante a investigação dos acidentes.
Os sinais de alerta não devem ser ignorados
Bocejos frequentes, dificuldade para manter os olhos abertos, sensação de pálpebras pesadas, esquecimentos durante o percurso, saídas involuntárias da faixa de rolamento e os chamados microssonos estão entre os principais sinais de alerta.
Durante um microssono, que pode durar apenas quatro segundos, um caminhão a 90 km/h percorre aproximadamente 100 metros sem que o motorista tenha consciência do que acontece ao seu redor.
Além disso, familiares costumam perceber outro sintoma importante: as pausas na respiração durante o sono.
Apneia do sono em caminhoneiros: diagnóstico ficou mais acessível
O exame mais completo para diagnosticar a apneia continua sendo a polissonografia. Entretanto, a tecnologia também ampliou as possibilidades de diagnóstico.
Hoje já existem equipamentos portáteis capazes de monitorar o sono fora dos laboratórios especializados. Dessa forma, o exame pode ser realizado em casa ou até mesmo durante uma parada de descanso, facilitando o acesso principalmente para caminhoneiros que passam vários dias longe da residência.
Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas e reduzir os riscos para a saúde e para a segurança no trânsito.
O tratamento pode incluir mudanças no estilo de vida, perda de peso, aparelhos intraorais ou CPAP, conforme a necessidade de cada paciente.
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