Durante assembléia realizada ontem (04/03) na sede do Sindicam-SP, os mais de 450 motoristas autônomos decidiram pela realização de uma “Mega Manifestação”, que terá início à zero hora de segunda-feira (05/03) com a paralização do segmento de Transporte de Combustível e de todos os demais segmentos de Transporte Rodoviário de Carga na capital. Assim, as bases de distribuição de combustível não funcionarão por tempo indeterminado. Além desse protesto toda a categoria deverá parar as operações da onde estiverem, a partir das quatro horas de hoje. A manifestação foi motivada pela indignação de motoristas e entidades ligadas ao setor sobre, o que classificaram como “abuso” da Prefeitura em restringir o acesso a Marginal Tietê por nove horas, numa carga horária de 11 horas, sem que haja nenhuma alternativa viável de rota.
“Sem os trechos Leste e Norte do Rodoanel concluídos, a restrição na Marginal Tietê é inviável. Teremos que percorrer 143 quilômetros para realizar uma entrega de Guarulhos a Barueri, no horário de restrição. Percurso que fazemos após percorrer 30 quilômetros sem a Restrição. Isso sem contar que o acesso à Jacu Pêssego pela rodovia Ayrton Senna é inadmissível”, declara Norival de Almeida Silva, presidente do Sindicado dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de S. Paulo.
Desde o processo de restrição a caminhões, na Capital paulista, iniciado em 2008, os Autônomos sempre entenderam e colaboraram com a decisão da Prefeitura Municipal, por entender que havia alternativas a serem seguidas. “Inclusive quando as autoridades restringiram o acesso à Marginal Pinheiros, regiões do Butantã e Morumbi, e, Avenida Bandeirantes, aceitamos a decisão, pois o trecho Sul do Rodoanel estava concluído”, recorda-se Norival Silva.
O objetivo da paralização é sensibilizar as autoridades públicas para reabrirem as negociações sobre o acesso à marginal Tietê. “Já que as autoridades avaliam que podem nos impedir de trabalhar durante 80% da nossa carga horária diurna, queremos então que essas autoridades decidam se haverá desabastecimento na cidade ou aumento de preço dos produtos, pois alguém terá que pagar o aumento dos nossos custos”, acrescenta.
RESTRIÇÃO
Com a restrição, os caminhões não poderão rodar em vias do minianel viário, como a Marginal do Rio Tietê, e as avenidas Marquês de São Vicente e Salim Farah Maluf, das 5h às 9h, e entre 17h e 22h, de segunda a sexta-feira. Aos sábados, a proibição vale das 10h às 14h. Em caso de desrespeito, os caminhões ficam sujeitos a multa de R$ 85,12 e quatro pontos na carteira de habilitação.
MAIOR CUSTO
Para o presidente do Setcesp (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região), Francisco Pelucio, qualquer restrição para os caminhões é ruim. “São quatro horas de manhã e cinco horas entre o período da tarde e da noite. Com isso, as empresas terão um aumentos nos custos, o que deve refletir no bolso do consumidor”, explica. Segundo Pelucio, com a restrição, as empresas que antes usavam o mesmo caminhão em dois turnos, com motoristas diferentes, terão de investir em nova frota, caso queiram manter esses funcionários. Apesar de ainda não ser possível estimar o quanto será o aumento do frete, caso as empresas precisem realizar o reajuste, Pelucio afirma que entre 30 e 40 dias o consumidor já deve perceber os reflexos da restrição no bolso.