Governo contratou 11 empresas para realizar o levantamento

O DER alega que a contratação de empresas para ajudar na fiscalização é uma tentativa de sanar uma deficiência histórica no acompanhamento das concessões. Sem concursos públicos para renovar o quadro de funcionários na proporção necessária, o acompanhamento da qualidade dos serviços e das obras passou a ser menos efetivo. “Era quase impossível fazer a fiscalização com tão pouca gente”, comenta o diretor-geral, Nelson Leal Junior. Atualmente, a quantidade de pessoas vistoriando as rodovias pedagiadas aumentou muito. Algumas regiões do estado contavam com apenas três funcionários do DER atuando no monitoramento das estradas e, com a contratação das empresas, esse número subiu para 15 pessoas.
Engenheiros, analistas, contadores e economistas percorrem as estradas, fotografam e fazem relatórios sobre as obras que estão sendo realizadas. Também devem verificar se o veículo de inspeção de pista passa no tempo certo e se os animais mortos e outros obstáculos que atrapalham o tráfego são removidos, além de analisar os dados contábeis das concessionárias. A contagem de tráfego, que não era verificada “in loco” pelo governo, passou a ser feita. O trabalho produzido é entregue à equipe do DER, que é quem tem autoridade para fiscalizar as concessões.
O dinheiro gasto no monitoramento extra é proveniente das próprias concessionárias, que arrecadaram 1,5 bilhão em 2012. Por mês, as seis empresas do sistema paranaense de concessão de rodovias depositam aproximadamente R$ 2 milhões a título de verba de fiscalização. A obrigação existe desde o início do contrato, em 1998, e já foram repassados cerca de R$ 200 milhões para o DER. O recurso não pode ser gasto no pagamento de salários de servidores – nomeados a partir de concurso público. Parte do dinheiro já foi aplicada em outros estudos sobre o pedágio no Paraná.
O número de quase 2 mil notificações por mês é considerado normal tanto pelo DER como pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR). As autuações não resultaram em multas. Para cada falha identificada, a empresa ganha um tempo para sanar o problema. Só seria penalizada caso não cumprisse o prazo. As últimas multas aplicadas a concessionárias foram em 2002, por problemas no pavimento.
Da Gazeta do Povo





