Revista O Carreteiro – Em um mercado competitivo, no qual os principais fabricantes de caminhões procuram oferecer produtos com alta eficiência, o que significa para a Volvo ter o caminhão pesado mais vendido por dois anos consecutivos, em 2009 e 2010?
Roger Alm – É uma grande satisfação para nós saber que um de nossos modelos foi o caminhão preferido e mais vendido entre os transportadores que adquirem veículos pesados. Ele reúne atributos fundamentais: baixo consumo de combustível, grande disponibilidade, alta produtividade, segurança e conforto para o motorista, entre outros. Isso não é pouco! O transportador faz as contas e vê que o Volvo é a melhor opção.

O Carreteiro – Para muitos carreteiros, o caminhão Volvo é luxuoso e robusto. Em parte, o pioneirismo da montadora em disponibilizar novidades tecnológicas em seus veículos tem sido responsável por esta opinião. Como continuar a oferecer produtos diferenciados em um mercado onde os veículos de diferentes marcas estão cada dia mais alinhadas tecnologicamente?
Roger Alm – Ao longo de sua história no Brasil a Volvo se destacou em ofertar cada vez mais inovações que busquem aumentar o conforto, a segurança do motorista, a disponibilidade do caminhão e a produtividade do transportador. Estas inovações passam pela introdução de muitos dispositivos e equipamentos, como de cinto de segurança de três pontos como standard, ar condicionado em veículos comerciais, ABS, motores com gerenciamento eletrônico e motores totalmente eletrônicos com unidades eletrônicas independentes. Com inovações deste tipo, entre outras, a Volvo vem sendo reconhecida pela busca constante de conforto e produtividade dos motoristas e dos veículos. A Volvo inovou também com programas de manutenção, com serviços como o VOAR (serviço de atendimento emergencial, 24 horas por dia, 365 dias por ano), air bags em caminhões, além do treinamento dos motoristas. Outra importante inovação é a entrega técnica feita diretamente ao motorista quando este opta por pegar o seu caminhão na fábrica, em Curitiba. Tudo isso proporciona diferenciais muito significativos. A Volvo lançou, ainda, um pacote de itens de segurança, tanto ativos quanto passivos, em sua linha de veículos FH e FM. Aliás, todo este reconhecimento do mercado fez com que o modelo FH 440 6×2 fosse por dois anos consecutivos o caminhão mais vendido do Brasil.

O Carreteiro – Até que ponto a tecnologia ajuda na imagem de uma marca de caminhão?
Roger Alm – A tecnologia ajuda em muito a construir a marca. As inovações são em todas as áreas – tanto no desenvolvimento de novos produtos, quanto em inovações que também visem proporcionar facilidades aos clientes no dia a dia, desde estudos de transportes para a correta recomendação do produto, passando pela facilidade nos financiamentos dos veículos, como em inúmeras inovações para deixar os caminhões ainda mais produtivos e disponíveis.

O Carreteiro – Em sua opinião, qual será o maior desafio dos fabricantes de caminhões pesados, nos próximos anos?
Roger Alm – São muitos, mas destacaria que seria continuar ofertando veículos menos poluentes e com baixo consumo de combustível.

O Carreteiro – O pós-venda será cada vez mais uma referência e um diferencial entre os fabricantes de caminhões?
Roger Alm – Sim, com certeza. Após a entrega do caminhão, é por meio do pós-venda que se consolida uma relação duradoura com os clientes. Cada vez mais estão sendo oferecidas soluções de pós-venda que garantem a melhor utilização e resultados no transporte. Por exemplo, os programas de manutenção e os sistemas de manutenção programada.

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Nosso propósito este ano é ter pelo menos um motorista treinado para cada veículo vendido. E isso não inclui as atividades de entrega técnica

O Carreteiro – A falta de motoristas qualificados está se tornando um problema cada vez maior no Brasil, e como se diz não adianta produzir caminhões modernos, seguros e eficientes se não houver quem os conduza com competência. Como você vê esta questão e quais seriam as possíveis soluções, a curto, médio ou longo prazos?
Roger Alm – Como é um problema nacional, acho que é preciso uma contribuição de todos envolvidos com o transporte, cada um agindo de acordo com seus papéis. Nós podemos contribuir no aperfeiçoamento dos motoristas através do uso correto dos nossos veículos e da promoção de cursos, programas, treinamentos e atividades de profissionalização que valorizem e gerem orgulho para a categoria do motorista. Não basta atuar nas técnicas de condução, é necessário considerar todo o entorno de uma viagem, como é o caso do Transformar, um inovador programa desenvolvido pela Volvo focado no comportamento do motorista. Temos três programas nesta área e vamos lançar mais um ainda este ano. Estamos totalmente comprometidos com isso.

O Carreteiro – Como os fabricantes de caminhões podem contribuir no processo de qualificação de motoristas?
Roger Alm – O motorista sempre foi prioridade para a Volvo. Somos a montadora que mais opções oferece nesta área de capacitação. Nossa estratégia é desenvolver multiplicadores. Através deles estamos presentes em todas as regiões e podemos responder mais rapidamente a qualificação dos motoristas. Por exemplo, hoje contamos com uma estrutura de mais de 40 instrutores que atuam em conjunto com a fábrica, trabalhando dentro das concessionárias e dos clientes. Os nossos estudos indicam que um instrutor pode atender 300 motoristas ao ano com qualidade. Temos um elaborado programa de desenvolvimento e formação de instrutores abrangendo desde metodologia de ensino, didática e, retórica, até o essencial de condução defensiva e econômica, não deixando de prepará-los nos aspectos técnicos do caminhão.Nosso propósito este ano é ter pelo menos um motorista treinado para cada veículo vendido. E isso não inclui as atividades de entrega técnica – todo caminhão que é entregue na fábrica ou pelo concessionário é realizado por meio de uma entrega técnica obrigatória, que inclui a apresentação do veículo, princípios de manutenção e outros cuidados. Nosso objetivo é prepará-lo o melhor possível no primeiro contato com o caminhão. A outra palavra chave nesta área é “Qualidade”. O nosso programa Transformar é reconhecido nacionalmente como o “polimento” final do profissional, pois atua diretamente no comportamento do motorista antes, durante e depois, da viagem. Como disse anteriormente, em breve vamos lançar um novo programa para aumentar ainda mais o nosso potencial de treinamento nesta área.

O Carreteiro – Além da responsabilidade de ser o presidente de uma grande montadora, dirigir a planta instalada no principal mercado mundial de caminhões da marca é um desafio especial?
Roger Alm – Sim, é um grande desafio para mim. Eu sempre gostei de desafios em toda a minha carreira e estou muito motivado para mais este. Estamos todos trabalhando para manter esta posição. Mas é muito difícil ficar permanentemente na primeira posição, pois isso não depende só de nós. Depende de muitos fatores e variáveis. Mas estamos indo muito bem, porque a economia brasileira também vai muito bem e porque nossos caminhões são o desejo de consumo do transportador brasileiro. E ainda porque, como eu disse antes, nossos veículos são muito valorizados pelo transportador, por conta de seu baixo consumo de combustível, grande disponibilidade e alta produtividade. O FH440 cv foi o caminhão pesado mais vendido no Brasil pelo segundo ano consecutivo. Estamos fazendo o máximo para manter nossa posição, ao mesmo tempo em que proporcionamos mais benefícios ao transportador.