Fator fundamental para definir o valor do veículo, especialmente na hora de trocá-lo, a desvalorização é um item de grande importância para os fabricantes de caminhão, tanto pela imagem da marca quanto pelo interesse que um caminhão usado pode despertar no mercado conforme seu índice de depreciação

Por João Geraldo

O segmento de veículos usados tem forte relevância no mercado e desperta grande interesse nos fabricantes de caminhões, sobretudo em relação à valorização de seus modelos, o que inevitavelmente provoca reflexos na preferência, principalmente do pequeno transportador. Isso porque um usado com maior valor e giro no mercado facilita a venda para um terceiro ou contribui para viabilizar o negócio no caso de ser dado como parte de pagamento na compra de um modelo zero quilômetro.

Levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), entidade que representa o setor de distribuição de veículos no Brasil, com 7 mil distribuidores espalhados pelo País, aponta que 173.023 caminhões usados tiveram troca de titularidade nos primeiros seis meses de 2019. Desse total, 37,68% foram veículos da Mercedes-Benz, seguida pela Volkswagen, com 21,84%; Ford e Scania, com 16,82% e 8,51%, respectivamente. Da marca Volvo foram 7,92%; 4,26% da Iveco e 2,96% de veículos de carga de outros fabricantes.

Independente do volume negociado de cada fabricante, pois a quantidade também está diretamente relacionada à oferta modelos, o que as montadoras comemoram mesmo é a comprovação de que o veículo usado, por ela produzido, seja o mais valorizado do mercado. Além da pratica do mercado, a certificação que se destaca como a mais almejada pelas montadoras é o Selo Maior Valor de Revenda (SMVR), um estudo de depreciação de veículos (com três anos de uso), elaborado anualmente pela agência Autoinforme em parceria com a agência Texto Final de Comunicação mais a Revista Frota &Cia.

29 FH
Pela segunda vez, o Volvo FH 540 6X4 recebeu o selo de Caminhão Pesado com maior valor de revenda

A Volvo, por exemplo, está comemorando a conquista do SMRV por ser a fabricante do caminhão pesado com maior valor de revenda após três anos de uso. O veículo é o FH 540 6×4, que acabou de conquistar a certificação pelo segundo ano consecutivo na categoria veículos comerciais. O modelo apresentou depreciação de -20,6%, um percentual abaixo de seus concorrentes na categoria de caminhões pesados. Alcides Cavalcanti, diretor comercial de caminhões Volvo lembrou que antes desse modelo a marca já havia conquistado a certificação em 2015 e 2016 com o FH 460. O gerente comercial de seminovos da companhia, Rogério Kowalski, disse estar orgulhoso com om reconhecimento e exaltou a importância e credibilidade do Selo. Já o modelo semipesado que se sobressaiu como o caminhão com menor depreciação é o Scania P 310 8×2.

SCANIA P 310
O Scania P 310 8×2 se destacou como o caminhão semipesado com menor depreciação após três anos de uso

A Mercedes-Benz, por sua vez, comemora a conquista do Selo pelo Atego 1419 na categoria Caminhão Médio, com desvalorização de -24,8%, além de outros veículos da marca, como a van Sprinter 415, que obteve desvalorização de -15% na categoria minibus, e o Sprinter chassi-cabine, com desvalorização de -19,3% entre os “semileves”. Já o caminhão leve Accelo 1016 se destacou como o veículo com menor índice de depreciação (-17,2%) entre todos os caminhões de todas as marcas avaliadas.

Atego 1419
Com depreciação de 17,2%, o Mercedes-Benz Atego 1419 se destacou como o caminhão médio usado mais valorizado

Ari Carvalho, diretor de vendas e marketing caminhões da Mercedes-Benz, destacou que a baixa depreciação dos veículos da marca é um fator importante na hora da renovação da frota, e sobretudo para o carreteiro autônomo trocar seu caminhão.

Sobre os modelos da linha Sprinter, o diretor de vendas e marketing de vans da companhia, Jefferson Ferrarez, disse que as principais vantagens desses produtos estão na rentabilidade e no menor índice de depreciação. Nos primeiros cinco meses de 2018 foram emplacados 2.701 veículos da família Sprinter. Esse ano, houve crescimento, com 4.505 unidades licenciadas no mesmo período. “As vendas dos modelos Sprinter são puxadas por aplicações de e-commerce (vendas pela Internet), ambulância e operações de turismo”, concluiu Ferrarez.

Usados

Entre os modelos semileves, o veículo que aparece com menor índice de desvalorização é o Hyundai HR (-13,5%), veículo urbano com 3.400kg de PBT, equipado com motor disesel de quatro cilindros, 2.5 litros e transmissão manual de seis velocidades.

O Selo Maior Valor de Revenda – Veículos comerciais, tem como objetivo classificar o índice de depreciação de veículos em 11 categorias (vide gráfico). De acordo com os organizadores, trata-se uma premiação baseada em números e informações criteriosas e efetivas do mercado próxima da realidade do mercado de veículos comerciais. Realizada desde 2015, para a produção da edição da premiação deste ano foram analisados os preços dos veículos novos em março de 2016 e comparados com preços praticados pelo mercado em março deste ano.