Desde a aprovação de Decretos que determinaram a quarentena no País, muitas coisas mudaram no dia a dia de todos os brasileiros. Na estrada não foi diferente. A realidade vivenciada pelos motoristas de caminhão está longe do habitual. Antes da pandemia, a lista de reclamações dos motoristas era lidera pelo alto preço do diesel, baixo valor do frete e estradas sem conservação, entre outras.
Agora, a categoria reclama da falta de locais para fazer suas refeições, de serviços básicos (como mecânicos, lojas de autopeças e borracharia) e sente grande vulnerabilidade diante do vírus. Os motoristas se queixam também da dificuldade para encontrar equipamentos para se proteger da doença, como álcool em gel e máscara de proteção.
O que conseguem tem sido através de ações de distribuição por parte de concessionárias de rodovias, empresas e comerciantes que prestam solidariedade distribuindo gratuitamente marmitas, água etc.
Diante desse cenário, trabalhar na estrada ficou ainda mais difícil. São poucos os locais e pessoas que realmente se preocupam com a segurança e bem estar dos caminhoneiros.
O carreteiro Ricardo Roski, de Jundiai/SP, confirma que nas estradas os motoristas estão com dificuldade de encontrar luvas, máscara e álcool em gel para higienizar as mãos durante as viagens. “Muitos restaurantes estão fechados. Tenho sorte de ter a caixa cozinha. Então, antes de qualquer viagem eu saio abastecido para não passar fome na estrada”, declarou.
O principal medo de Ricardo é de contrair o vírus por estar o tempo todo exposto. Ele disse que tentou conservar o caminhão limpo, mas confessou que esse mesmo controle não existe nos postos onde estaciona. “Não tem como eu saber, por exemplo, se os banheiros estão sendo higienizados da maneira correta. Além disso quase nunca temos álcool em gel disponível. Em relação à minha família, assim que chego em casa tiro os sapatos e já vou direto para o banho”, afirmou.

Eder lembra que muitos motoristas estão na estrada porque não podem parar, pois precisam pagar as contas que continuam chegando. “Na estrada não tem movimento, praticamente são somente caminhões trafegando e assim estamos sem apoio algum. Não tem restaurantes nem borracheiros”, disse. Oliveira acrescentou que algumas entradas de cidades estão até fechadas, sem falar da falta de segurança. “Sei que é o procedimento correto, mas está complicado. Sempre fui contra os motoristas que se colocavam como vítimas, mas agora realmente a situação está bem complicada. Falta sensibilidade das autoridades”, completou.

“Tentei também em mercados, quase todos fechados. Por sorte encontrei um mercadinho de bairro e consegui abastecer a caixa cozinha com alguns mantimentos. A coisa está feia”, afirmou. Lamonier lembrou que o comércio de beira de estrada, mecânica, auto elétrica, loja de peças está tudo fechado e que restaurante não dá para entrar, pois é preciso aguardar a marmita do lado de fora.
Do seu ponto de vista, o motorista de caminhão está sendo considerado um transmissor do vírus. Contou que entrou em um mercado para fazer a feira e as pessoas pareciam preocupadas e incomodadas com a sua presença. “Fico pensando nos colegas que não tem a caixa cozinha”. Outro alerta de Gleydson é sobre a falta de fiscalização nas rodovias. Ele destacou que os postos fiscais não estão oferecendo nenhum tipo de apoio aos motoristas. “Estamos levando os produtos e ajudando o País, mas estamos abandonados”, reforçou.

Na realidade, a pandemia aumentou os problemas dos motoristas de caminhão, conforme comentou o carreteiro Daniel Brito, de Chá Grande/PE. Entre outros, ele cita a dificuldade que passou a existir para viajar pelas estradas, pois alguns locais se encontram com restrição de tráfego. “Um caos total. Ficamos inseguros de não saber quando vamos conseguir chegar em casa. A nossa segurança está muito falha. Transitamos de um lugar para o outro e ninguém se preocupa se estamos bem, se temos máscara, álcool em gel, se me alimentei. Enquanto isso a família está em casa preocupada”, desabafou.

Morador da zona Leste da cidade de São Paulo, afirmou que tem consciência da importância para o País do seu trabalho, mas decidiu se resguardar e fazer a manutenção ficando uma semana em casa. Contou que uma pessoa infectada pelo vírus morreu perto de sua casa. “Eu não quero contrair, muito menos passar para as demais pessoas. Caso precise ficar mais uma semana parado eu fico. Vou rodar apenas quando as condições estiverem um pouco mais favoráveis para a categoria”, concluiu.


“Antes do motorista entrar no pátio da empresa, uma equipe verifica a temperatura e faz um cadastro com as informações de saúde. Depois disso, pode ter acesso ao pátio com sala de televisão, restaurante, banheiros limpos e álcool em gel para higienização das mãos”, contou. Maurílio acrescentou que a todo instante um alto-falante orientava os motoristas a manterem distância segura uns dos outros. Uns obedecem, mas sempre tem aqueles que não acreditam na gravidade da situação”, lamentou.
Para Maurílio, o mais importante é cada um ter consciência e se proteger como pode. Ele, por exemplo, utiliza máscara e sempre mantém distância de outros colegas. “Viajei do Nordeste para Minas Gerais e senti a estrada vazia. Agora estou indo para o Sul e vamos ver o que vai ser. Pedindo a Deus para voltar tudo ao normal”, declarou na ocasião.








