Por Iara Aurora

Cada vez mais as mulheres conquistam espaço em profissões até então dominadas pelos homens. E quando se fala especificamente de áreas exercidas na maioria por funcionários do sexo masculino, como, por exemplo, o segmento de transportes, a lógica não poderia ser diferente. Por conta do ingresso delas em diferentes atividades, há anos deixou de ser novidade encontrar mulheres ao volante de caminhões extrapesados, no cargo de executivas, oficinas mecânicas, linhas de montagem e em diversos tipos de empresas.

O fato é que a presença da mulher no mercado de trabalho só avança, conforme aponta levantamento da Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo). De acordo com o estudo, a taxa de participação feminina no mercado subiu de 55,9% para 56,2% entre 2009 e 2010. Ao mesmo tempo, os índices empregatícios dos homens permaneceram praticamente inalterados, de 71,5% para 71,6%. Outra pesquisa, esta promovida pelo Instituto Data Popular, em parceria com a Editora Abril, publicada no segundo semestre do ano passado, mostra que as mulheres da geração de hoje buscam mais do que um emprego, elas querem perspectivas de crescimento na vida profissional e evolução na carreira.

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Formada em engenharia elétrica, Joice Biermayr é responsável pela área de serviços de campo, no setor de pós-vendas da Volvo

Joice Biermayr, de 39 anos de idade e funcionária da Volvo desde 1994, representa bem a evolução do grupo de trabalhadoras. Formada em engenharia elétrica, ela é atualmente responsável pela área de serviços de campo da montadora no setor de pós-venda. Contratada como estagiária há quase 18 anos, Joice começou na linha de produção de caminhões, atuou como instrutora de treinamento e foi promovida para o grupo de protótipo, onde testava e identificava falhas, além de possíveis melhorias em caminhões da marca ainda não lançados ao mercado. “Desde que comecei a trabalhar na Volvo nunca senti dificuldade por atuar na área, e o pessoal da empresa sempre me apoiou bastante”, ressalta.

Admite que antes de trabalhar na montadora tinha mais proximidade com veículos de passeio. “Quando era pequena passeava de carro com o meu pai e vivia pedindo para ele me deixar dirigir, tanto é que tirei a Carteira de Habilitação super jovem. Já a atração por caminhões veio com o tempo e foi se desenrolando durante a minha experiência aqui na Volvo”, explica.

Outra profissional da atual geração das mulheres no mercado de trabalho é Vanessa Marques Inácio, líder da área de produção de motores na fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo. Aos 24 anos de idade, ela comanda um grupo de 60 pessoas no setor em que trabalha. “Comecei na Mercedes-Benz com 15 anos de idade, por meio de uma parceria entre a empresa e o Senai. Aos 17 anos passei para a linha de montagem e em novembro do ano passado fui promovida para líder de produção da linha de motores pesados”, explica.

No final de 2011, Vanessa conquistou o diploma de engenheira ambiental e pensa em continuar a crescer na empresa. “Acabei de me formar em engenharia ambiental, também fiz curso de inglês e estou aprendendo alemão. Pretendo continuar a mostrar o meu trabalho e chegar a exercer a profissão de engenheira aqui na Mercedes-Benz”, orgulha-se.

A engenheira mecânica Cristiane Nunes trabalha no ramo que escolheu e atualmente é gerente de marketing de produto na fábrica da Iveco
A engenheira mecânica Cristiane Nunes trabalha no ramo que escolheu e atualmente é gerente de marketing de produto na fábrica da Iveco

Cristiane Nunes também segue a mesma linha profissional dos caminhos trilhados por Joice e Vanessa dentro de uma montadora de caminhões. Gerente de marketing de produto da Iveco, ela começou na montadora como analista em gestão de projetos, na área de desenvolvimento de protótipos. Tinha a função de coordenar o desenvolvimento dos produtos solicitados pelo marketing, dois anos depois assumiu o cargo de analista de marketing onde após um ano de atuação assumiu o cargo de gerente de marketing de produto da Iveco, há quase dois anos.

Formada em engenharia mecânica, Cristiane diz que sempre imaginou entrar um dia no ramo automotivo. “Estudei na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e na minha cidade, Resende/RJ, há muitas montadoras instaladas, por isso sabia da grande probabilidade de trabalhar em uma dessas empresas”, lembra. Para ela, os desafios de atuar no segmento automotivo, principalmente com caminhões, estão relacionados ao fato do ramo ser, teoricamente, uma área mais masculina. Acrescenta que participa de muitos eventos da área e percebe que sua presença causa uma certa estranheza para alguns. Imagina que num primeiro momento devem pensar o que ela está fazendo naquele lugar, ou então que ela não deve saber nada, embora admita que isso não represente para ela um obstáculo profissional. “A mulher tem seu jeitinho próprio. Somos detalhistas, observadoras e atenciosas, isso é uma grande vantagem na área de marketing, principalmente quando se vai a campo entender o que um cliente busca em um caminhão. Por isso, aos poucos consigo provar a que vim” diz.

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Com formação técnica, Viviane Camazzola é responsável pela revisão e certificação dos serviços realizados pela Brasdiesel, concessionária Scania

Viviane Camazzola também compõe a lista de mulheres que encontraram no setor de transportes uma oportunidade para se desenvolver profissionalmente. Funcionária da concessionária Scania Brasdiesel, em Caxias do Sul/RS, desde 2010, ela entrou para a filial como recepcionista e há um ano foi promovida para analista de garantia, profissional responsável pela revisão e certificação de todos os serviços realizados pela oficina.

Aos 25 anos de idade – e formada pelo Senai como técnica em manutenção automotiva – Viviane diz que a aproximação e o conhecimento que tem sobre caminhões são frutos de sua relação com o pai. “Sou filha de motorista de caminhão, então desde pequena viajava com o meu pai pelas estradas e a partir daí nasceu o gosto por esses veículos”, explica. Apesar de se sentir muito satisfeita com sua função, Viviane pretende alcançar muitas outras metas profissionais na sua carreira. “Acho que ninguém nunca deve se estacionar profissionalmente,” finaliza.